Muito estranho

Confesso que estava nos meus planos dedicar este artigo ao voto inacreditável, esdrúxulo, incompreensível e inaceitável do Ministro Edson Fachin em defesa da candidatura de Lula no Tribunal Superior Eleitoral. Uma tremenda aberração, propondo que o Brasil se ajoelhasse diante da recomendação de um comité fajuto e de segunda classe da ONU. Felizmente esta barbaridade não prosperou e foi barrada por 6 a 1 no plenário da corte, impondo a Fachin uma derrota arrasadora. Muito estranho o seu voto. E desta vez ele não foi derrotado, como geralmente acontecia, pelos irmãos metralha que dominam a segunda turma do Supremo, mas pela maioria esmagadora dos ministros presentes à sessão histórica que barrou definitivamente a candidatura de Lula.

Aí aconteceu o incrível atentado a Jair Bolsonaro: uma facada na barriga do candidato até então líder nas intenções de voto. Uma facada na democracia. O criminoso diz ter agido sozinho, o que parece muito estranho. O cara é de Montes Claros que fica a quase 700 km de Juiz de Fora, auxiliar de pedreiro desempregado que não deveria ter dinheiro nem mesmo para a passagem de ônibus, paga antecipado e em dinheiro vivo 15 dias na pensão que escolheu para se alojar (não consta que andou procurando emprego por lá) e fica à espreita do candidato em ato de campanha nas ruas e desfere nele, a queima roupa, um golpe de arma branca quase fatal. Mais 5 minutos Bolsonaro teria chegado morto à Santa Casa de Misericórdia, onde uma equipe médica nota 10 realizou, com a urgência necessária, uma cirurgia grande e complexa que salvou a sua vida.

Na audiência de custódia, Adélio Bispo de Oliveira foi defendido por quatro advogados, um número maior do que o que defendeu Marcelo Odebrecht. Um dos advogados, sócio de uma banca de alto luxo, deslocou-se da região metropolitana de Belo Horizonte para Juiz de Fora em seu jatinho particular. Perguntado quem estava pagando tudo aquilo saiu pela tangente sem dar uma resposta convincente. Ou outros três declararam que estavam sendo financiados por uma igreja, que já desmentiu tudinho. Será que um auxiliar de pedreiro desempregado teria grana suficiente para custear esta revoada de causídicos?

Tudo muito estranho…

Espera-se que a polícia possa desvendar este caso incomum e que consiga descobrir, se for o caso, quem, ou que organização estaria por trás disso tudo.

Eu, que não sou jornalista investigativo para sair correndo atrás do fio da meada (se fosse eu sairia) nem policial, fico aqui com as minhas suspeitas de que pode ter gato na tuba… Oxalá eu esteja errado e que as investigações concluam que Adélio agiu solo, em nome de Deus e financiado por Ele.

Logo em seguida vem a carta de Lula aos brasileiros oficializando a candidatura de Fernando Haddad pelo Partido dos Trabalhadores, em substituição à dele próprio que, apesar dos inúmeros recursos, não emplacou. Lendo a carta tem-se a impressão de que o ex-presidente presidiário está com algum distúrbio de personalidade que o fez incorporar alguma divindade que psicografou a famigerada missiva. No texto, eivado dos vitupérios habituais contra a justiça, a mídia e “eles”, o Demiurgo de Garanhuns insiste em dizer que é preso político e que Haddad é a sua encarnação. E afirma, sem rodeios, que se o seu novo “poste” vencer as eleições, quem vai governar o Brasil será ele, desta vez não do Palácio da Alvorada mas de sua cela em Curitiba. Não vai deixar a rédea solta como fez com a Dilma, que deu no que deu.

Com o candidato Bolsonaro sem poder fazer campanha, as esquerdas estão em festa, sejam as radicais, tipo Ciro e Haddad, ou light, tipo Marina Silva. Fica no meio o Geraldo Alckmin que, apesar de ter a maior parte do tempo de televisão e rádio, ainda não conseguiu decolar significativamente nas pesquisas, correndo o sério risco de repetir o fenômeno Ulysses Guimarães.

Mas Bolsonaro certamente vai se recuperar desta desgraça que se abateu sobre ele pelas mãos de um criminoso de aluguel e lutar para manter a sua possiblidade de ir para o segundo turno. Se isso acontecer vai então disputar com um dos postulantes que estão embolados no segundo lugar. Segundo alguns cientistas políticos, este é o cenário mais provável no momento.

Seja lá o que aconteça em 7 de outubro, temos que manter as barbas de molho diante da ameaça do PT voltar ao poder.

O Brasil não aguentaria mais esta catástrofe.

O fato é que o cruel atentado contra o candidato do PSL retirou da partida, pelo menos por enquanto, um “player” importante que estava jogando bem pela direita, e com chances de fazer gol.

O cenário ficou mesmo muito estranho, correndo o risco de desembocar num estado de anomia que ninguém deseja.


Flavio Faveco Corrêa – artigo publicado no Correio Popular, maior jornal de Campinas

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