Desalento

No Brasil de hoje, não são apenas os 4,8 milhões que desistiram de procurar emprego, mais os 6,6 milhões que estão subocupados e os 13 milhões de desempregados que estão desalentados. Todos nós estamos. E revoltados com as sacanagens que os três poderes continuam a praticar contra a nação. A frágil pinguela que poderia nos levar ao desenvolvimento com justiça social está desabando. A mais recente delas é o aumento do salário dos Ministros do Supremo, qualificado pela Folha de S. Paulo como “Destruição do futuro”, que vai provocar um efeito cascata de bilhões no já depauperado orçamento público. Estes Ministros, que são a nata da nata dos assalariados do país trabalhando só 196 dias por ano, muito menos do que qualquer um de nós, e que recebem além dos seus vencimentos de 33,8 mil reais, mais um montão de vantagens indecentes como 56 mil reais por ano de passagens, auxilio alimentação, assistência pré-escolar, auxilio transporte, assistência médica e odontológica para o titular e dependentes, carro com motorista e segurança 24 horas por dia, etc, etc, mais uma porção de funcionários de gabinete e assistentes, que fazem com que o STF custe 708 milhões por ano, mais do que em qualquer país razoavelmente civilizado. Pois estes ilustres cidadãos “negociaram” com o débil Presidente Temer, que não resistiu à pressão e abriu as pernas para eles, dar em troca o cancelamento do revoltante auxílio moradia, que um dia iriam perder de qualquer maneira. Espertos, não?

Esta ânsia dos ilustres bacharéis togados por mais dinheiro para rechear seus próprios bolsos revela uma total insensibilidade, um verdadeiro desprezo com o momento extremamente difícil por que passa o país e a esmagadora maioria dos seus cidadãos, excluídos os 1% mais ricos, casta da qual eles fazem parte.

Nosso desalento, infelizmente, vai além disso.

Estamos em plena campanha eleitoral e ainda não surgiu nenhum salvador da pátria, mesmo por que, estragada do jeito que está, salva-la seria impossível no curto prazo. Mas agora os candidatos irão para a televisão e o rádio, prometer, como sempre, mundos e fundos (já vimos este filme muitas vezes antes), garantir que vão resolver tudo, acabar com a pobreza, colocar todas as crianças na escola, melhorar a educação como um todo, a saúde, os transportes, o saneamento básico e a infraestrutura. Como será que qualquer um dos postulantes que chegar lá poderá realizar tudo isso dentro da pequena parte disponível do orçamento de República, quase totalmente comprometido com despesas obrigatórias, tipo pagamento de salários do funcionalismo? O cidadão sempre esperançoso muito provavelmente vai constatar, no decurso do tempo, que mais uma vez foi ludibriado, e que quase nada do que foi prometido será realizado. No Brasil existem 7.200 obras inacabadas. Um escândalo. E assim a nossa nave vai, ainda sem piloto, rumo ao desconhecido, procurando escapar do iceberg que está na proa, que cresceu exponencialmente de tamanho nos 13 anos de lulopetismo que assolaram o país.

Falando nisso, há que se tirar o chapéu para o Luiz Inácio Lula da Silva, que lidera as pesquisas de intenção de voto. O cara é um fenômeno. O cabra consegue se manter no noticiário permanentemente, recebendo ampla cobertura dos meios de comunicação a cada “fato novo” que gera lá da sua suíte na Polícia Federal de Curitiba, onde está preso.

Ele é, sem sombra de dúvidas, o maior marqueteiro do Brasil, único país do mundo que cria lula em cativeiro.

Enquanto isso, os presidenciáveis continuam por aí falando abobrinhas. Geraldo Alckmin, como disse a Eliana Cantanhêde em recente artigo, oferece tratores para quem já tem, enquanto Jair Bolsonaro promete armas para os que delas precisam. E depois se assustam ao ver Bolsonaro à frente deles. Afinal, a criminalidade atingiu proporções inimagináveis no Brasil de hoje, onde nunca foi tão fácil assaltar, estuprar, roubar e matar. Os bandidos estão mais fortemente armados do que jamais estiveram, e os cidadãos decentes sem defesa. Vivemos tempos em que um reles pivete, e não um chefe do crime organizado, saca uma pistola 9mm, calibre privativo do Exército, para matar antes e depois roubar um celular.  Quando a polícia chega, o “presunto” já está quase em decomposição.

Podem discordar de mim, e por favor aqueles que quiserem que o façam. Estamos numa democracia. Votei contra o Estatuto do Desarmamento, esta babaquice “politicamente correta” que foi em empurrada guela abaixo da população pela mídia poderosa. Votei contra e sempre votarei contra. E farei o que me for possível para que seja revogado e que seja devolvido aos cidadãos de bem o direto de legítima defesa. Por acaso os índices de criminalidade baixaram depois que este lamentável Estatuto foi aprovado?

O Bolsonaro tem razão ao dizer que flores não matam bandidos. Ele foi o único candidato que teve coragem de enfrentar este tema, enquanto os demais ficam na moita ou dão respostas que imaginam ser do gosto da maioria da população. Estão enganados.

“Buenas”, com diria o inesquecível gaúcho Paixão Cortes que acaba de nos deixar, a campanha pra valer está apenas começando, alicerçada em vícios nada democráticos como a distribuição da fortuna do execrável fundo eleitoral criado pelos deputados que ficará nas mãos dos velhos caciques partidários (adeus renovação do Congresso) e o rateio do tempo na TV e rádios. Como será que a Marina e o Bolsonaro, por exemplo, vão se virar com suas “frestas” de alguns míseros segundos versus outros candidatos que disporão de tempo consideravelmente maior?

É bom não esquecer que em 1989 o Dr. Ulisses Guimarães teve uma exposição enorme, mas não se elegeu. E naquela época não existiam as redes sociais.

Vamos torcer para que o povo eleja um futuro presidente à altura do cargo.

Um que acabe com o nosso desalento.

 


Flavio Faveco Corrêa


Artigo publicado domingo último no Correio Popular, maior jornal de Campinas

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