A melancolia de uma nação

A indignação se transformou em desalento.

Todos nós brasileiros temos a esperança de um Estado que exerça suas funções com dignidade e responsabilidade. A sociedade cidadã, convicta dos seus direitos e obrigações, já decidiu pelo Estado Democrático de Direito e exige dos seus governantes seu cumprimento, determinados pela Constituição Federal.

No próximo quatriênio qualquer candidato à Presidente da República se eleito democraticamente, deverá ter como prioridade na sua agenda para poder exercer a governança, a reforma do Estado brasileiro.

É ponto pacífico para qualquer cidadão comprometido com a governabilidade do País, obrigatoriedade de compatibilizar os recursos gerados pelos tributos arrecadados, com as necessidades para cumprir seus compromissos constitucionais com a sociedade.

O Estado tem que ser repensado. Reduzir o custeio e elevar a taxa de investimentos em projetos de sua responsabilidade, única  maneira de viabilizar o crescimento sustentado.

A equipe econômica, que sucedeu a anterior, deu sinais claros de compreensão dos erros cometidos no passado e das soluções para revertê-los. Procurou com a redução de gastos públicos o equilíbrio fiscal.

Libertou a Petrobrás das garras do poder do Estado e da corrupção obscena entre os poderes, designando para presidente Pedro Parente, gestor profissional e respeitado pela sua dignidade e competência.

Com liberdade para exercer uma gestão independente, em pouco tempo reverteu o quadro lamentável em que se encontrava a empresa, vítima de má administração e corrupção comprovadas. 

A recuperação da empresa foi quase imediata. A credibilidade da nova gestão cuidou de atrair os investidores nacionais e internacionais. O mercado se incumbiu de recompor os preços dos ativos e o seu passado tenebroso foi temporariamente esquecido. A liquidez das ações nos Pregões das Bolsas de Valores voltou à sua normalidade.

O movimento setorial contra a política de reajuste dos preços dos combustíveis, reajustados corretamente pela empresa, para evitar prejuízos a ela e seus acionistas, com as variações momentâneas, excepcionais e não comuns das cotações internacionais do petróleo e da moeda Norte Americana, ajudou a criar um fato político, no vácuo de um momento de extrema fragilidade de governabilidade, em pleno ano eleitoral.

Ideal para a infiltração de oportunistas alimentados no passado, com subsídios criminosos obtidos do governo anterior, em negociações nebulosas em detrimento da própria Petrobrás.

Vários fatores contribuíram para que fosse criado um ambiente negativista para o atual governo, contra o País e a favor do caos:

Queda do índice de confiança do consumidor; tensões cambiais exageradas; mercado de trabalho estreito projetando mais desemprego e outros, também preocupantes.

O acordo realizado, pela claudicante situação do governo aparentemente, embora também desastroso, foi o possível! Surpreendeu-se com a falta de informações dos órgãos responsáveis pela inteligência do País.

Sentiu-se acuado e apequenou-se.

De qualquer forma, este entendimento para por fim à greve, representa um retrocesso visível no desempenho macro, com uso do populismo fiscal que agravará o desequilíbrio fiscal. 

Felizmente o Presidente Temer defendeu a gestão da Petrobrás e, pela reação dos mercados, deve estar convencido que não há a menor chance de desmontar o irretocável programa de recuperação da empresa que, provavelmente em futuro próximo, estará distribuindo vultosos dividendos ao tesouro e a seus inúmeros acionistas. Royalt significativo a diversos Estados serão, seguramente creditados. Temos que sempre nos lembrar, que a Petrobrás é uma empresa de capital aberto, listada em bolsas aqui e no exterior, gerando com a negociação dos seus papéis, significativo volume financeiro atraído pela sua liquidez.

Frustrar os mercados, pela segunda vez, é um risco extremamente elevado para a credibilidade do País.

Os responsáveis pelos governos de hoje e do futuro próximo têm, em momentos difíceis, que absorver lições que produzam decisões com responsabilidade. 

A situação em que estamos sugere um viés de baixa para o crescimento, revisado para 2%. Qualquer recaída heterodoxa traria de volta a recessão e uma acelerada pressão inflacionária. A incerteza pode inibir o processo de recuperação da atividade.

O País está em pleno ano eleitoral e sem nenhuma sinalização de quem seria, entre os vários candidatos à Presidência da República, o possível vencedor.

O mais grave, entretanto, é que não vislumbramos neste cenário, um candidato liberal que defenda abertamente uma agenda comprometida com a reforma do Estado, com chance de vitória.

A única alternativa é unir os candidatos que entendam a importância desta agenda e apoiem um único, que tenha condições de se eleger para corrigir os descaminhos do País.

A melancolia será muito maior se o último trem para o desenvolvimento for perdido, por incompetência, vaidade ou ódios alimentados pela mediocridade.


Manoel Francisco Pires da Costa, presidente DiarioNet

 

 

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