Intervenções perigosas

É claro que o assunto do momento é a atabalhoada intervenção pós carnavalesca no Rio de Janeiro, uma jogada de mestre do marqueteiro Elcinho Mouco para dar sobrevida a um “lame duck”, expressão muito utilizada pelos gringos para definir um político em fim de mandato, sem chance de reeleição, uma carta fora do baralho. Todos nós esperamos que, apesar disso, a jogada produza efeitos práticos e que não se transforme em mais um item no rol de roupas sujas que precisam ser mandadas para a lavanderia. Ou em mais um alentado cardápio de boas intenções, tipo os vários planos de segurança nacional que frequentaram o noticiário desde os tempos de FHC. Agora que esta nova bola cheia está lançada, resta partir para os finalmente, apesar do imbróglio jurídico criado. O povo brasileiro merece isso

Pena que a população esteja confundindo esta intervenção civil com intervenção militar, que é outra coisa completamente diferente. Numa intervenção militar, as Forças Armadas tem poder de engajamento e podem enfrentar a guerra como ela tem que ser enfrentada. O General Augusto Heleno, que comandou as forças de paz da ONU no Haiti, lembrou em entrevista à Globo News, que por lá se os soldados brasileiros encontrassem alguém andando pelas ruas portando um fuzil praticando ou ameaçando praticar algum crime, este cara era considerado inimigo: chumbo nele, como tem que ser na guerra. Por aqui, nada disso: se um soldado atirar num terrorista destes (são terroristas mesmo, não usam carros bomba mas aterrorizam a população), mesmo que em defesa de sua própria vida, a associação protetora dos animais vai cair de pau, apoiada pelas entidade dos chamados direitos humanos, OAB s , etc., etc. Nem foto os soldados estão podendo tirar, para cadastrar e tentar separar os bons dos maus elementos… Já deu celeuma.

Um dos grandes riscos de tudo isso é o arranhão que pode produzir na imagem das Forças Armadas. Se elas não puderem atuar como tem que ser, com autoridade e força total, correrão o risco de ser responsabilizadas por eventuais fracassos.

Os bandidos estão armados de fuzis AR-15 de última geração e pistolas Clock 9mm que nem sequer ainda estão no comércio; o Exército ainda a usa os velhos FAL criados há mais de 50 anos…

A grana está do lado deles, e não do nosso lado. Eles podem comprar metralhadoras .50 de última geração, modernos helicópteros, granadas, o que quiserem, enquanto nossas forças armadas vivem em estado de penúria.  Com o orçamento que tem, o Exército levará décadas para substituir os antigos fuzis belgas pelos novos da IMBEL, um produto nacional competente.

Um pivete chega a ganhar 4 mil por semana no tráfico, versus salário mensal médio de 1.200 de um soldado.  Quem tem o poder de recrutamento?

Por estas e outras que minhas barbas brancas estão de molho, torcendo para que esta pirotecnia toda, com intervenções não planejadas mais ministério extraordinário, produza efeitos positivos duradouros. Se produzir, quem sabe logo tenhamos intervenções na educação, cuja má qualidade mata o futuro do Brasil, e na saúde, cujo estado lamentável dizima enorme quantidade de brasileiros.

Além da intervenção na segurança do Rio, há outra que assusta bastante: a intervenção de Lula no Supremo Tribunal Federal.  Pela entrevista que deu à Folha de S. Paulo na quinta-feira, ele deixa bem claro que o STF vai lhe conceder o habeas corpus preventivo que pediu para evitar sua prisão e que vai inocenta-lo de todas as torpes acusações que lhe imputam, logo a ele o brasileiro mais honesto que existiu na história deste país. E que, se a carruagem andar como ele imagina que andará, quem corre sério risco de ir para as grades é o Juiz Sergio Moro e os três desembargadores do TRF-4 que o condenaram, pela audácia que tiveram de atentar contra a honra do ex e futuro presidente da república, que ele tem certeza será eleito em outubro.

Gente, esta intervenção, agora liderada por Sepúlveda Pertence, que comentam ter cobrado 50 milhões para assumir o comando das tropas de assalto à nossa dignidade (se é verdade, de onde saiu esta dinheirama?) pode provocar efeitos desastrosos. Se o Supremo se ajoelhar diante de Lula, assumirá a carapuça de ter mesmo se transformado, como diz a piada, em Supremo Tribunal do Fulano, o STF da Dilma, do Aécio, do Renan , do Jucá, das dezenas de políticos que estão sendo processados a passo de tartaruga, e dos amigos e compadres soltos pelo ministro campeão da libertadores.

Isso não pode acontecer, sob pena de perderemos de vez a nossa crença no futuro.


Flavio Faveco Corrêa  – Artigo publicado no Correio Popular, maior jornal de Campinas

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: