Demagogia petista e o desemprego

O aumento de pessoas vivendo nas ruas das cidades brasileiras é uma amostra inquietante dos efeitos do desemprego no país. A miséria cresce a olhos vistos. Em apenas um ano o número de famílias que recebem benefícios sociais e que moram em vias públicas cresceu 35%, cerca de 20 mil a mais, segundo o Ministério do Desenvolvimento Social.

O desemprego atinge fortemente os trabalhadores mais pobres e sem qualificação, mas também assombra a classe média. Pessoas especializadas sofrem com a crise no mercado de trabalho. Tal quadro se agravou com a recessão que se acentuou em 2015 e 2016, período em que a economia encolheu 7,2%, o pior biênio desde 1948.

O desemprego é a face mais perversa da recessão econômica e representa o maior drama na vida de uma família. Porém, tal situação tem sido fortemente explorada de modo oportunista por políticos de olho nas eleições do ano que vem. Eles apostam firmemente na tese do quanto pior melhor para obter dividendos no pleito de 2018.

Líderes do PT têm se esforçado para jogar no colo do governo Temer a responsabilidade pelos 13,5 milhões de desempregados. Querem passar essa ideia para o público mirando a eleição presidencial. Apostam que assim podem recolocar o partido no poder.

Independentemente do posicionamento do cidadão em relação ao atual governo é necessário que se faça justiça. A crise econômica atual foi gestada nos governos do PT por conta de omissões e de ações econômicas e administrativas desastrosas.

O Brasil conviveu com um período de crescimento econômico expressivo entre os anos de 2004 e 2008, quando Lula era o presidente, e suas causas a bem da verdade foram em grande parte as políticas adotadas em anos anteriores associada ao “boom” da economia internacional e aos estímulos ao consumo doméstico.

Medidas como a maior abertura econômica do Brasil ao exterior, as privatizações, o Plano Real, o sistema de metas de inflação, o câmbio flutuante, os superávits primários das contas públicas e a Lei de Responsabilidade Fiscal prepararam estruturalmente o terreno para o crescimento econômico de 2004 a 2008. Essas ações, ocorridas entre o início dos anos 90 até 2000, criaram uma base para o país crescer quando economias como a chinesa, por exemplo, alavancaram o PIB mundial. O governo Lula teve seus méritos nessa fase ao expandir programas sociais e o crédito ao consumidor, algo que a entrada maciça de moeda estrangeira no país facilitou. A demanda agregada foi afetada positivamente pela bonança externa e pelo consumo em alta.

Ocorre que no período de prosperidade o PT se omitiu na hora de adotar uma nova rodada de mudanças estruturais e depois que veio a crise mundial em 2008 o partido passou a destruir as bases da política econômica conquistadas a duras penas, como os sistemas de metas de inflação e de superávit primário, ao optar por um governo populista e irresponsável. A título de exemplo há as insanas políticas intervencionistas, as famosas “contabilidades criativas” e as desonerações tributárias que enfraqueceram o orçamento.

Os milhões de desempregados não brotaram do nada. Resultaram de medidas demagógicas em prol de interesses políticos do PT. A economia foi destruída e o lado cruel disso é o desemprego. Ao governo atual sobrou a tarefa de colocar a casa em ordem através de ações duras e impopulares, mas necessárias para o país voltar a crescer.

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Marcos Cintra é doutor em Economia pela Universidade Harvard (EUA), professor titular da Fundação Getulio Vargas. É autor do projeto do Imposto Único. É presidente da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos).

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